terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sôfrego ao Porvir

Abandonar-se ao porvir
é um exercício de fé
que a saga dos meus
não me permite ostentar...
... com paciência.


Seguir o curso do rio
é natural, maravilhoso, às vezes.
Mas querer
precisar
ansiar
lutar
para subir à margem
e não conseguir...
... é sofregamente frustrante.

Os sinais demoram a chegar
e correr no escuro é tudo
o que me resta
agora.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Será ele desgovernado?

Meu trem possui
muitos freios:

Filhos dependentes
Caráter direcionador
compromisso com a Sinceridade
Corpo físico
cérebro em Descoberta
amor ao Amor e à Justiça

Esses são os freios que o fazem parar
apenas em algumas estações.

Aquelas paradas desnecessárias,
sequer percebo existirem,
pois tenho um foco.

No ímpeto de seguir meu
norte,
percorro ora trilhos bem constituídos,
ora trilhas flutuantes

Sigo aquela luz
que me avisa de dentro pra fora,
de fora pra dentro,
em fantástica simbiose.

O trem é insurreto ao (des)governo
de outrens
Detenho
sua direção, velocidade,
caminho e bagagem
que o equilíbrio
entre mim e o meu
destino proporciona.

Assim,
acredito desenvolver
minha Consciência
à sua máxima amplitude,
meu Coração
à sua essência mais pura,
minha Energia
à transformação quântica do universo.

Que todos sigam seus próprios caminhos,
com alegria, disciplina e entrega!

Maquinistas amigos,

AIUÊ!!

Bruxuleios brilhantes da mata

Bruxas maldosas ficarão
para sempre fora do
ensolarado caminho
alegre das florestas de
encanto e respeito

Bruxuleios, pios, rodopios,
arrulhos e sussurros
apontam-nos a direção
em silenciosa escuta

Os raios dourados
penetram as brilhantes
árvores amigas, tocando-nos
com seu suspenso calor

Então, contundente presença
ouvimos ao longe: branca
força a retumbar sua
energizante queda...

Ah! Diáfana bruma,
tão leve e tão pura,
recanto do nosso planeta...!

Fundimo-nos todos em
gigante arco-íris,
emanando o amor
telúrico-cósmico a
tudo, em ascendente
expansão

Como prêmio à vontade,
inundo-me com o
prazer e a força do lago
caudaloso

Desse mergulho, carrego
a sobrevivência,
a dualidade,
o poder,
o amor,
a intuição,
a visão,
a entrega.

Natureza amiga,

AIUÊ!

Miragens

miragens
esperança tão fora
de hora

desvaneçam-se antes
de aparecer,
pois que temo
não dissipá-las

ilusões
permaneçam no etéreo
distantes de mim

sois tão bela e plena
que no seu não-ser
sinto o amargo do querer.

Realidade,
dance comigo o canto
das águas,
fluido e contundente
no caminho
das descobertas.

AIUÊ!

Ainda não nasci

Sinto-me gerando
o meu próprio ser...

Busco
descartar os lixos da minha identidade
ressaltar os dons da minha personalidade
reciclar meu ser para a integridade

Hoje não anseio por carícias e segredos; amar e ser amada; compartilhar metas e caminhos; sentir-me uma em dois corpos.

Não quero ser metade.

Quero ser inteira,
sozinha,
repleta de
sonhos e desejos,
prazeres e verdades.

Descobrir
que caminhos dançar
que obstáculos analisar
se desvio ou ultrapasso.

Preciso andar "por rumo",
descobrir qual é o meu "fluxo",
sentir o meu tempo.

quais são as minhas dificuldades?

o que preciso aprender?

o que quero estudar?

Estou me gerando...!
Tão livre e tão nova,
tão inteira e tão sábia
quanto as faces da natureza.

Mas ainda não nasci...!

Elaborar-se é a prática de amor mais intensa a si mesmo.

(2008)