Eu,
uma parte agora distante
que eu conheci.
Eu,
um complexo inútil
de idas e vindas
Eu,
a dúvida,
o medo,
a insegurança.
Eu, a esperança de encontrar
o elo com o passado e o futuro
O desejo de reconhecer-se
no espelho do espírito.
(2002)
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Afã
Mãos e bruma encontram-se
ávidos
platônicos.
Hálitos
confundem-se
- pensamento.
Incansavelmente
sonho teu corpo pulsando o meu
tua mão pousando a minha
teus pés pisando os meus
- dilacerado sentimento.
Meus dedos nos teus cabelos
percorro teu dorso
te chamo
me beijas em arrepiado sussurro
- sozinha.
ávidos
platônicos.
Hálitos
confundem-se
- pensamento.
Incansavelmente
sonho teu corpo pulsando o meu
tua mão pousando a minha
teus pés pisando os meus
- dilacerado sentimento.
Meus dedos nos teus cabelos
percorro teu dorso
te chamo
me beijas em arrepiado sussurro
- sozinha.
Lamento do tempo
É piano, eu sei!
piano sem cor, sem forma,
sem dedos para tocá-lo.
é piano, eu sei!
música e sussurro
confundem-se
teclas e algum perfume
também.
não é jasmin.
não é jardim.
é piano,
que rasteja,
e não se ouve
mais.
(2003)
piano sem cor, sem forma,
sem dedos para tocá-lo.
é piano, eu sei!
música e sussurro
confundem-se
teclas e algum perfume
também.
não é jasmin.
não é jardim.
é piano,
que rasteja,
e não se ouve
mais.
(2003)
Hélice (ao Prof. Augusto Massi)
Galgando
campos,
montes,
matas...
Ouvindo fustigadas vozes
gauches
gastas
magras
caminho insone.
Desse baú idéias
pululam,
arrastam-se,
nascem.
como os filhos desejados
jamais nasceram.
augusto, solene,
reinas abissal - máximo
nestas profundezas.
campos,
montes,
matas...
Ouvindo fustigadas vozes
gauches
gastas
magras
caminho insone.
Desse baú idéias
pululam,
arrastam-se,
nascem.
como os filhos desejados
jamais nasceram.
augusto, solene,
reinas abissal - máximo
nestas profundezas.
Lua e Sol
Beijos
ávidos e românticos
Saciam e provocam
a chama e o brilho
Olhares límpidos
afirmam que as mentiras
são apenas para os outros.
Ser uno consigo
e uno com o outro
é a verdadeira busca
pelo equilíbrio da
dualidade: a unidade.
O Sol ama sem senão,
a Lua sem pressa.
Na busca da
completude, o dia
e a noite se fundem
do ocaso à alvorada.
O fogo desse amor
refresca-se na água
da sua ternura
Depois do encontro
mágico
Fica a longa saudade
na grande e intransponível
distância.
E o eclipse da
espera se faz.
E a entrega
no descaso
se desfaz.
(2009)
ávidos e românticos
Saciam e provocam
a chama e o brilho
Olhares límpidos
afirmam que as mentiras
são apenas para os outros.
Ser uno consigo
e uno com o outro
é a verdadeira busca
pelo equilíbrio da
dualidade: a unidade.
O Sol ama sem senão,
a Lua sem pressa.
Na busca da
completude, o dia
e a noite se fundem
do ocaso à alvorada.
O fogo desse amor
refresca-se na água
da sua ternura
Depois do encontro
mágico
Fica a longa saudade
na grande e intransponível
distância.
E o eclipse da
espera se faz.
E a entrega
no descaso
se desfaz.
(2009)
Aquele homem deitado
Parecia um menino. E parecia também que nunca antes houvera dormido. Dormia como morrido.
Eu passava por ali, pensativa, como sempre. E ele lá. Eu o vi de longe e quase atravessei a rua. Não. Eu não atravessei. Teria mesmo que vê-lo, de perto.
E o vi.
Fiquei tentando imaginar que tipo de coisas sonhava. Se sonhava... Sim, sonhava. Estava tão descansadamente estirado que - acho - puder ver seus sonhos, e ler sua alma. (Ou seria a minha própria?)
Estava ele só? Não. Naquele momento ele não estava só. Naquele momento eu o amava.
Ele devia estar em uma praia, estendido, mais vivo que nunca. Exposto ao sol e às lamúrias do mar. Estaria ele com calor sobre a areia dos meus desejos?
Não. Fazia frio naquela calçada gelada.
Conformei-me com a realidade e com a provável falta de sonhos daquele homem e fui embora.
Antes que me deitasse ao seu lado e dormisse o mesmo sonho...
Por um momento ele era eu...
E fui embora, para nunca mais voltar.
Quando por ali passasse de novo, não veria mais do que dejetos fecais - caninos ou humanos.
Talvez o próprio homem.
Eu.
(1998)
Eu passava por ali, pensativa, como sempre. E ele lá. Eu o vi de longe e quase atravessei a rua. Não. Eu não atravessei. Teria mesmo que vê-lo, de perto.
E o vi.
Fiquei tentando imaginar que tipo de coisas sonhava. Se sonhava... Sim, sonhava. Estava tão descansadamente estirado que - acho - puder ver seus sonhos, e ler sua alma. (Ou seria a minha própria?)
Estava ele só? Não. Naquele momento ele não estava só. Naquele momento eu o amava.
Ele devia estar em uma praia, estendido, mais vivo que nunca. Exposto ao sol e às lamúrias do mar. Estaria ele com calor sobre a areia dos meus desejos?
Não. Fazia frio naquela calçada gelada.
Conformei-me com a realidade e com a provável falta de sonhos daquele homem e fui embora.
Antes que me deitasse ao seu lado e dormisse o mesmo sonho...
Por um momento ele era eu...
E fui embora, para nunca mais voltar.
Quando por ali passasse de novo, não veria mais do que dejetos fecais - caninos ou humanos.
Talvez o próprio homem.
Eu.
(1998)
Irmãos (para Tiê e Arays)
doce e
salgado
par
buscando o
equilíbrio
convivem em
persistente
gangorra
com a
troca
equidistante
sigam ao
autoconhecimento
(2008)
salgado
par
buscando o
equilíbrio
convivem em
persistente
gangorra
com a
troca
equidistante
sigam ao
autoconhecimento
(2008)
Ao equilíbrio da dualidade
terão sido tão
essenciais...
mas sua importância
reduziu-se a mera
expectativa,
esperança,
ilusão.
Quero o agora,
o real, o mortal,
a fúria dos ventos
a agressividade das águas
o poder do fogo
a importância do ar.
Tudo em mim
apenas em mim
para me recriar
criar
agir
pulsar
(2009)
essenciais...
mas sua importância
reduziu-se a mera
expectativa,
esperança,
ilusão.
Quero o agora,
o real, o mortal,
a fúria dos ventos
a agressividade das águas
o poder do fogo
a importância do ar.
Tudo em mim
apenas em mim
para me recriar
criar
agir
pulsar
(2009)
Noite de bruma
Na noite de bruma
Abriu-se o desejo
De navegar...
Corpo leve, alma nua
Entrego-me
À bruma da noite...
Em doce flutuar...
Brigas,
Bregas,
Brochas,
Negarei a qualquer hora.
Apenas bruma
doce bruma
a me afagar
De ser inteiro
brancas nuvens
largas vagas
brincam
em meu lugar
Pois que procuro
intensamente
a noite de bruma
para amar
(2009)
Abriu-se o desejo
De navegar...
Corpo leve, alma nua
Entrego-me
À bruma da noite...
Em doce flutuar...
Brigas,
Bregas,
Brochas,
Negarei a qualquer hora.
Apenas bruma
doce bruma
a me afagar
De ser inteiro
brancas nuvens
largas vagas
brincam
em meu lugar
Pois que procuro
intensamente
a noite de bruma
para amar
(2009)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
O Rio Amor
A subsuperfície
é misteriosa
Nada se enxerga de longe
É preciso, às vezes, tatear
As luzes são difusas
Há correntezas e diversas
temperaturas
Possui uma ecologia toda própria
coexistindo seres muito diferentes:
pequenos monstros, lindos diamantes...!
Mas, para senti-lo
é preciso mergulhar.
Da superfície, apenas imagina-se
o que é o Amor.
é misteriosa
Nada se enxerga de longe
É preciso, às vezes, tatear
As luzes são difusas
Há correntezas e diversas
temperaturas
Possui uma ecologia toda própria
coexistindo seres muito diferentes:
pequenos monstros, lindos diamantes...!
Mas, para senti-lo
é preciso mergulhar.
Da superfície, apenas imagina-se
o que é o Amor.
Em meu leito
Nua.
o corpo cansado
dorme acordado
sem esquecer suas funções vitais.
Inerme.
a alma pura
vagueia no etéreo
à procura de completude.
Estática.
como o leito de um rio
busco permanecer
evitando mergulhar
no caudaloso e profundo amor
Ansiosa.
pelo barco
que me traga vestes e armas,
onde eu possa navegar, enfim,
nas suas águas.
Superficialmente...contudo.
o corpo cansado
dorme acordado
sem esquecer suas funções vitais.
Inerme.
a alma pura
vagueia no etéreo
à procura de completude.
Estática.
como o leito de um rio
busco permanecer
evitando mergulhar
no caudaloso e profundo amor
Ansiosa.
pelo barco
que me traga vestes e armas,
onde eu possa navegar, enfim,
nas suas águas.
Superficialmente...contudo.
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